BOIA é um núcleo artístico de pesquisa continuada em dança, que eu (Ilana Elkis) desde 2018| SP venho coordenando junto à parcerias artísticas, para concentrar e articular investigações e práticas, com as quais venho dialogando.
No BOIA o corpo é entendido como um site , um lugar para investir, uma paisagem, assim como, o espaço-tempo. Uma mídia para o contexto ser encarnado para dramaturgias físicas especificas. Este pensamento tem proximidade com as práticas site-specific, artes visuais e performativas. Assim sendo, o corpo é um lugar, uma coisa coreográfica, onde se pode levar à atenção para os ossos, músculos e fáscias, para que uma experiência sinestésica, e portanto estética venha emergir.
O nome BOIA, se trata de uma metáfora escolhida, justamente para imaginar uma plataforma que busca se estabilizar dentro de contextos instáveis da realidade, que nos é apresentada ao trabalhar com arte e cultura em São Paulo, no Brasil e no mundo. BOIA é um lugar inventado para resistir e dar continuidade ao labor processual, que é inerente à pesquisa independente em dança.
Estabelecer encontros com outros artistas para partilhar interesses, desejos e fazeres em dança, também me mobilizaram a criar esse não-lugar. As parcerias com a produção e equipe técnica também são encontros importantes no BOIA. Assim sendo, gostaria de mencionar os parceiros que estiveram na BOIA flutuando comigo, em algum momento, ao longo desses cinco anos: Gabriela Rios, Mariana Taques, Michelle Farias de Lima, Natalia Nery, Claudia Fonseca, Samya Enes, Ana Elise Mello, Leticia Esposito, Jean Marcel e Daniel Lins Carvalho.
Muitas vezes, temáticas que não eram o foco de um trabalho em seu princípio, ganham relevância no próprio fazer artístico e podem se tornar um assunto interessante a ser aprofundado. Entendo isso como uma característica da pesquisa continuada. Este projeto nasceu nas conversas, nos vínculos afetivos que se desenvolveram no contato com os propósitos artísticos realizados ao longo da existência do BOIA com as mulheres artistas, que chegaram para experimentar minhas propostas técnicas/expressivas. Conforme se apropriavam delas, iam compartilhando suas histórias de vida, fazendo emergir um debate sobre o “ser mulher”, em diferentes experiências mas, também, próximas em uma série de aspectos.
TRABALHOS DO BOIA
DEUSAS (2022-23)

















DEUSAS é um trabalho solo de dança, uma realização do Núcleo Boia de Dança, com direção e concepção de Ilana Elkis e com performance da bailarina, intérprete e criadora Luma Preto.
Inspirado no trabalho coreográfico MUSA (2020-2022), que aqui se desmembra em uma versão solo, que busca refletir sobre coreografias impregnadas no corpo, a partir de valores culturais que ditam o ideal da mulher. A partir de um olhar sob a mulher na história da arte, da antiguidade à contemporaneidade, ambos trabalhos, propõem-se a instaurar uma discussão acerca da mulher como objeto-imagem, sob a perspectiva do olhar do seu consumidor- espectador, em um contexto patriarcal e ocidental.
Enquanto MUSA é realizado por quatro-performers, Deusas é um trabalho solo, onde a criadora-intérprete, Luma Preto, incorpora tais assuntos, somando a um olhar para algumas deusas da mitologia grega do livro “Mulheres e Deusas” de Renato Nogueira.
A distribuição do público ao redor da bailarina, seminua, faz alusão a uma experiência de exposição de uma obra de arte, contexto onde o corpo da mulher é contemplado e objetificado sistematicamente, sob um olhar hegemônico, geralmente masculino.
Durante o trabalho, que tem duração de 40 min., a bailarina vai compondo instantaneamente tensões e torções, onde imagens- sensações, vão sugerindo em nosso imaginário, figuras híbridas, entre o real e o mítico, que instauram uma experiência de sensações que passam pelo encantamento ao incômodo. Após o término da apresentação, vai ter um bate-papo do publico com a direção e a bailarina, para fomentar discussões sobre o trabalho em si, assim como sobre processos de criação em dança, realizado por mulheres.
FICHA TÉCNICA
Direção artística, cênica e dramaturgica: Ilana Elkis
Criadora-interprete: Luma Preto
Producão: Luma Preto, Ilana Elkis e Veronika Piccini
Criação de luz: Felipe Oliveira
Operacão de Liz: LetíciaTrovijo e Giorgia Tolani
Criacão de Trilha: Naty Nery e Lana Scott
Figurino: Ilana Elkis
Fotos acima no CCSP: Micaela Wernicke
Assesoria de Imprensa: Mara Cristina Ribeiro
Agradecimentos: Flávia Scheye, Mariana Taques, Michelle Farias de Lima, Gabi Rios, Centro de Referência da Dança, Espaço Bombelêla, Graxa Galpão e Centro da Terra.
LUGAR PROVISÓRIO (2021-2022)
Lugar Provisório é uma tentativa de ocupar um lugar vazio para criar em dança. É um acontecimento, uma experiência para deixar emergir relações não- hierárquicas entre corpo, coisas e lugares, onde relações de alteridade se fazem e se desfazem. Esse trabalho teve início durante a quarentena da covid-19, em 2021, onde eu, meu filho e placas de compensados, vivenciamos um devir de empilhar, empurrar e equilibrar esse material. Em princípio era um ritual diário, um livre brincar.
















Meu filho manuseava placas em pequena escala, e eu, em uma maior. Dávamos forma àquelas coisas efêmeras, que logo não se sustentavam. Compensados ásperos, secos, superfícies planas, sem profundidade e pouco maleável, existiam brevemente, em equilíbrios precários.
A instabilidade dessas coisas era frustrante, mas estranhamente interessante, gerando uma tensão espacial entre mim e as esculturas. Instaurei essa situação como prática diária. Fui percebendo, através desse contexto e das diversas partes do meu corpo em contato com esse material, uma condição provisória das coisas. Uma topografia de afetos. Um ciclo de morte e vida, de vazio e preenchido, que me atravessou como condição existencial. Não só a mim, mas também a essas esculturas que agora dançam comigo. Eu coreografando elas e elas me coreografando.
Ficha Técnica:
Criação e Dança: Ilana Elkis – BOIA
Produção: BOIA Núcleo de Dança
Ass. de produção: Luma Preto
Provocação Dramatúrgica: Flávia Scheye
Luz: Letícia Trovijo
Trilha: Barão Di Sarno e Léo Versolato
Execução de esculturas: Luciano Bussab
Foto: Ian Maenfeld e Preto Vidal
Vídeo: Daniel Lins Carvalho
Agradecimentos: Ana Teixeira, Carolina Sudati, Renan Marcondes, Letícia Esposito, Mariana Taques, Melissa Bamonte.
MUSA (2020-2022)




































A palavra MUSA tem muitos significados, ela dá origem ao substantivo museu e ao verbo amusement, pelo qual sua tradução mais próxima à língua portuguesa seria o verbo encantar. Para tanto, MUSA se propõe a discutir imagens e coreografias, entendidas como femininas, que se comprometem ao encantamento. Após um estudo on-line pela plataforma zoom, durante a crise sanitária da covid-19, o trabalho está retomando no presencial. Na caixa cênica ou em um espaço expositivo, quatro bailarinas que realizam uma coreografia escultórica a partir da pressão dos seus apoios, da torção do torso e de um erotismo que chega até às extremidades. Duas plataformas móveis, são deslocadas pelas performers, que se propõem a investigar diferentes perspectivas compositivas, pelas quais vão se revelando aspectos absolutos/concretos e relativos/subjetivos.
Direção: Ilana Elkis
Bailarinas-performers: Gabriela Rios, Luma Preto, Mariana Taques e Michelle Farias de Lima
Cenografia: Biopics e Barão Di Sarno
Produção: Ilana Elkis e Cotiara Produções
Fotos : Ian Maenfeld
Local das fotos: Abertura do Processo no Teatro do Centro da Terra.
Video editado de fragmentos da abertura do processo de MUSA que foi um trabalho de dança on-line, realizado com plataforma zoom- specific, ao vivo, em Abril de 2021. Realizado pela plataforma de pesquisa Ilana Elkis + BOIA e pela primeira edição da lei Aldir Blanc.
Direção, edição e coreografia: Ilana Elkis
Interprete -criadoras: Luma Preto, Mariana Taques, Gabi Rios, Michelle Farias e Ilana Elkis.
Produção: Mítica | Cau Fonseca.
Agradecimentos: Equipe do Transversalidades Poéticas e do Centro de Referência da Dança, Lana Moraes, Letícia Sekito, Liana Zakia, Marina Matheus, Valéria Ribeiro, Tatí de Tatiana, Dresler Aguilera e Olívia Nicullicheff.
MUSA (2021)-Texto ensaio
Ilana Elkis. Musa: em busca do encantamento em tempos pandêmicos. In: ANAIS DO VI CONGRESSO DA ANDA , 2021, Salvador. Anais eletrônicos… Campinas, Galoá, 2021. Disponível em: https://proceedings.science/anda-2021/papers/musa–em-busca-do-encantamento-em-tempos-pandemicos Acesso em: 16 mar. 2022.
LAMPEJO (2019) – Dança – site-oriented
LAMPEJO, que é um território entre dança, teatro e site-specific, que se propõem tratar das relações entre corpo, espaço e memória. LAMPEJO é, sobretudo, uma investigação sobre o lembrar, e mais especificamente, sobre o assalto da lembrança: momento capaz de desestabilizar o corpo e suas narrativas, trazendo à tona imagens, movimentos e depoimentos, que ficam entre o real e o imaginário, e que transitam entre o presente e o passado. LAMPEJO é uma experiência traçada com o ao redor, na qual o espaço vira lugar, revelando seus contextos, sua arquitetura e as pessoas que lá convivem.





















FICHA TÉCNICA
Direção e Concepção: Ilana Elkis
Bailarinas-performers: Luma Preto, Mariana Taques, Dresler Aguilera, Mirelle Iano e Ciça Goes
Figurino: Ilana Elkis
Vídeo teaser e registro: Olívia Niculicheff
Fotos: Micaela Wernicke


