PLONGEÉ

Foto Daniel Bennett

Plongeé:  Dança nas Bibliotecas do Brasil é um trabalho concebido e realizado por Ilana Elkis e Joana Ferraz, contemplado pelo Premio Klauss Vianna, FUNARTE, 2014, que no segundo semestre de 2016 circulou por quatro diferentes estados brasileiros.

Foto: Ricardo Vicenzo/ Plongee Biblioteca de Manaus

O trabalho, de co-autoria das duas artistas, foi criado em 2011 especialmente para a Praça das Bibliotecas do Centro Cultural São Paulo, com o edital Novos Coreógrafos: Novas Criações: CCSP. A partir da observação e convivência no contexto da Biblioteca do CCSP, as artistas elencaram alguns aspectos: os diferentes mirantes que a biblioteca oferecia, recortando esse espaço em diferentes pontos de vista para ser contemplado; o fluxo de circulação dos frequentadores; os padrões gestuais desses e suas relações com os objetos ali presentes; criando e revelando novos universos poéticos possiveis.

Foto: Ricardo Vincenzo
Biblioteca de Manaus

Juntos, corpo e música, se misturam à paisagem original e surpreendem, oferecendo ao frequentador da biblioteca novas perspectivas para experienciar as infinitas possibilidades do que pode vir a ser uma biblioteca.

A trilha sonora foi construída também a partir da gravação de elementos sonoros típicos de um ambiente de bilbioteca, alterando a relação de volume entre eles, em camadas que se sobrepõem, de forma a propor uma nova experiência do ‘silêncio’ da biblioteca. Misturando estes elementos sonoros pré-gravados em uma mixagem em tempo real, a trilha compõe com os ruídos originais da biblioteca, que acontecem no momento da apresentação.

Plongée foi apresentado em quatro bibliotecas. Durante esse percurso as artistas adaptaram o trabalho à estas, problematizando o que significa circular com um trabalho site-specific e como isto é possível sem que o trabalho perca suas características intrinsecas, que o definem no que ele é.

Para fomentar esta discussão e a produção de conhecimento e material acerca do tema ‘dança site-specific’, foram programadas uma série de atividades, tanto nas cidades por onde o projeto passou, quanto em São Paulo.

Foram realizadas três apresentações e três dias de oficina em cada uma das cidades. Em Julho o projeto fez residência na Biblioteca Municipal Baptista Caetano d’Almeida que fica em São João Del Rei, Minas Gerais. Fundada 1827, foi a primeira biblioteca pública a ser inaugurada na Província de Minas Gerais.

No mês seguinte, integrando a programação do festival de dança Mova-se, o trabalho foi apresentado na Biblioteca Pública de Manaus, Amazonas, fundada em 1870, que abriga um acervo de cerca de 45.000 livros. Em seguida, o projeto foi para Teresina, Piauí, para a Biblioteca da Universidade Federal do Piauí.

Espectador da Biblioteca/ Teresina/Foto Layane Holanda

Em São Paulo o projeto ficou em residência no Centro de Referência a Dança e realizou  duas  atividades aberta ao público. Em parceria com Clarissa Sacchelli, as artistas conduziram uma conversa-itinerante pelo centro de São Paulo, saindo do CRD e terminando na frente da Biblioteca Mário de Andrade. Este encontro, chamado de Ocasião 1: Por Entre Lugares Gerais e Lugares Específicos, foi uma introdução e abertura deste campo de discussão sobre site-specific em dança, levantando diversas questões acerca do tema. Estas questões voltaram a ser conversadas pelas artistas num segundo encontro. Já em Setembro foi realizada a Ocasião 2: em lugares específicos com Carmen Morais, que abordou sobre a experiência de circular com o trabalho pelo Brasil, levantando um inventário de perguntas. 

Papel sobre mesa. Foto: vivi Bezerra

E finalmente, no início de Novembro, Plongeé foi apresentado no contexto do festival Cena Cumplicidade, em Pernambuco, na Biblioteca Municipal de Olinda, uma das mais antigas construções da cidade, que data de 1830.

As conversas desenvolvidas nestes encontros, e nas oficinas oferecidas nas bibliotecas, serã parte do conteúdo de um livreto, que reunirá textos e reflexões sobre site-specific em dança, a ser publicado ao fim do projeto, com volumes distribuídos para cada biblioteca pública contemplada nesta circulação, devolvendo para os espaços que acolheram o projeto um material que documente esta experiência e reflita sobre ela, e que some ao acervo de livros de arte destas cidades. O livro, afinal, é uma forma de tornar esta troca e produção de conhecimento, proporcionadas pelo projeto, em algo palpável e duradouro, que possa expandir ainda mais as fronteiras espaço-temporais desse compartilhamento de saberes.

 

CADERNO SOBRE DANÇA: SITE SPECIFIC AQUI

FICHA TÉCNICA DO PROJETO:

Concepção, Criação e Performance: Ilana Elkis e Joana Ferraz

Trilha Sonora: Ricardo Vicenzo

Produção: Viviane Bezerra

Preparação Corporal: Juliana Moraes 

Convidadas para as Ocasiões: Clarissa Sacchelli e Carmen Morais

Diagramação do projeto e publicação: Ricardo Vicenzo

NO CCSP 2011

Plongeé é um trabalho de dança em site specific de co-autoria das intérpretes-criadoras Ilana Elkis e Joana Ferraz, concebido para o Espaço da Praça da Biblioteca e entorno do Centro Cultural São Paulo. Foi contemplado pelo edital Novos Coreógrafos-Novas Criações: Site Specific, 2011.

A Praça da Biblioteca e entorno é formada por áreas amplas organizadas em andares e praças que se comunicam entre si por rampas inclinadas. Essa organização arquitetônica, com plataformas que recortam o espaço em diferentes níveis e estabelecem mirantes que convidam os seus frequentadores a perceberem seus fluxos e também a olharem de cima para baixo.

Na linguagem cinematográfica esse ponto de vista se chama efeito plongée e acontece quando a câmera se posiciona acima do nível do personagem ou objeto. O termo, que vem da língua francesa, significa mergulho e remete a uma trajetória de visibilidade vertical que parte da superfície para as profundezas.

Esse olhar Plongée, que naturalmente se converge para o grande átrio aberto, sobre o pátio da biblioteca com seus recortes espacias que abrigam uma atmosfera de mesas redondas, livros, papéis, ventiladores e pesssoas estudando, foi o mote de inspiração inicial para esse trabalho.

Ficha Técnica Criação e Interpretação: Ilana Elkis e Joana Ferraz, Ambientação Cênica: Lia Soares, Composição Sonora: Ricardo Vincenzo, Foto: Juliana Gennari e Daniel Bennett e Vídeo: Mariana Sucupira

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Foto Daniel Bennet
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Foto Daniel Bennett
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Foto Daniel Bennett
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Foto Daniel Bennett

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